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la madre e otras cositas.


o querido cacá postou no seu blog uma entrevista muy esclarecedora da psicóloga argentina laura gutman, falando sobre maternidade e vida contemporânea.
ela fala (muito clara e precisamente) de questões que nos rodeiam o tempo todo. fala de como o papel da mãe perdeu status para a vida profissional e por isso vivemos angustiadas com nossas identidades construidas; fala da família nuclear (papai, mamãe e filhinho...) como um modelo falido. fala de como estamos sozinhas em nossa escolha pela maternidade atuante, fala do retorno da "tribo" ou seja, da educação compartilhada.
me senti bem identificada com suas ideias e questões, na minha enorme vontade de acertar como mãe e como pessoa. talvez seja possível economizar em análise psicanalítica no futuro (hehe...), prestando bastante atenção nessa fase intensa e decisiva que são os primeiros anos de vida. espiem lá!

mamãe volta já!



hoje saí de casa para o depressa por favor é tarde, meu primeiro trabalho performático depois de tempos e tempos (uns 10 meses!) sendo mãe em tempo integral. acho que guido percebeu o movimento ou foi pura coincidência, mas baixou a resistência e apareceu uma febre chata e muito aborrecimento! parece que foi esse o meu (o nosso) teste da separação momentânea. é... a simbiose aqui não é moleza,minha gente! no meio desse caos todo, tentei com todas as forças não ficar masticando a "culpinha", pra não entornar mais ainda o caldo.

no fim deu tudo certo!
e o bom é que a gente aprende a ser bem focada nessas horas. sogrinha acionada (fofa!), "ordenha na vaquinha", rímel nos olhos e cronômetro ligado. em 2h resolvi tudinho. pela primeira vez também percebi que o melhor que se pode dar a um filho é estar feliz consigo mesma, sendo exatamente o que se é!

as fotos da ópera happening, lindo trabalho, estão aqui.

profissão: mãe.

após semanas de angustiante cogitação, tomei a decisão: respirei fundo e pedi um afastamento temporário do trabalho pra ficar com o guido. minha licença-maternidade (os míseros 120 dias a que toda mãe brasileira tem direito para cuidar do seu bb) terminou e eu não consegui imaginar outra saída senão essa. não sem dor no coração, claro! toda escolha é tb uma perda. e na balança do meu coraçãozinho de mãe novata, pesou muito mais ficar junto dele, amamentando e acompanhando de perto essa aventura linda do crescimento. sinto que tb estou crescendo. também estou ficando mais madura ao tomar a decisão difícil de ser mãe em tempo integral, sem medo de ficar "pra trás" profissionalmente ou de ficar de fora da vida social que tenho com meus amigos.

e citando clarice lispector: "já que sou o jeito é ser".




(eu e guido aproveitando um solzinho de inverno na praça buenos aires.)

via láctea



amamentar é um prazer enorme! indescritível! a cada dia mergulho mais e mais na delícia dessa sensação, admirando a perfeição da natureza! eu sempre fui apaixonada por essas riquezas biológicas e acho lindo que o nosso cérebro animal se encarregue da profusão de hormônios que fazem jorrar o alimento pro filhote mamar até que ele se farte.
eu e guido estamos vivendo plenamente a lactação, aproveitando muito esse momento "vaca sagrada" .
e se mamar, para ele é uma delícia, já imaginou mamar no banho quentinho, em contato direto com a pele da mãe?!
o paraíso é aqui!

laços.

que grávida é domínio público eu já sabia, agora mãe com bb na rua é muito mais! sempre que saio com guido no sling escuto um tanto de opniões e perguntas tais como: _"ele tá confortável aí dentro?"; _"coitadinho...olha o pescocinho dele pedurado!"; _"ele não tá sufocado"?

haja!



mas a pior que escutei foi uma moça falando para a outra bem na minha cara (como se eu fosse invisível ali):
_"se você trouxer seu filho aqui, assim todo amarrado, eu pego uma tesoura e corto tudo".

sorri, respirei fundo e pude entender que a falta de informação (ou a ignorância no pior sentido do termo) às vezes dá nesses impropérios por aí. mas o que mais me chocou foi o termo "cortar". cortar laços tão tênues como estes primeiros contatos de mãe e filho? cortar o calor, a proximidade, a proteção, a pulsação que ainda palpita entre nós? em que outro momento da vida poderemos ter a chance de um afeto tão puro, de uma relação tão linda como carregar um filhote junto ao coração?

no final entendi que a moça se asssustou não foi com o "pano amarrado", mas com a possibilidade de tanto amor e carinho serem expostos assim à luz do dia!
sai andando com meu pitoquinho dormindo feliz e desencanei.

na lavanderia.



e assim vamos nós: imersos na vida doméstica, no básico do básico, no simples e singelo do cotidiano. deixar o mundo correr lá fora e me concentrar em ser mãe tem sido uma tarefa e tanto. preciso aprender a "ter tempo". não dá pra viver essa mudança de vida sem sentir cada minuto. e os minutos são escassos, pois o trabalho é muito! no entanto esses flagrantes do dia são reveladores. aqui já estou até rindo de mim mesma, o que em todo o caso é muito bom!

como se faz? fazendo!














onde está o recém-nascido, está também a recém-mãe:
olhos arregalados ao mínimo gesto e barulhinho.
sonâmbula mas atenta na madrugada.
cuidadosa ainda que um pouco desajeitada.
feliz e exausta!